SÃO JOSÉ: Feira de carros usados

SÃO JOSÉ: Feira de carros usados complica trânsito no Jardim Morumbi

Há 21 anos comerciantes usam o bairro para venderem veículos e produtos piratas; moradores reclamam que ruas são usadas como banheiro público

Uma feira de carros usados realizada todos os domingos no Jardim Morumbi, em São José dos Campos, tem trazido transtornos para os moradores. Carros parados em frente às garagens e a falta de banheiros químicos são alguns dos problemas. Já os feirantes, que estão no local há 21 anos, cobram apoio da prefeitura.

Todo domingo dezenas de carros esperam por um comprador, mas o problema é que os vizinhos que já não aguentam mais a falta de organização. Duas ruas ao lado da Praça Luiz Gonzaga Ribeiro, no Jardim Morumbi, são fechadas para o feirão. Ronaldo próximo ao local e tem dificuldade para sair de casa. Eu não tenho condições de sair com o carro e tudo tem que pedir para eles pedirem para as pessoas que não respeitam para liberarem o espaço em frenta da garagem”, reclamou o serralheiro Ronaldo da Costa.

Nas ruas fechadas ficam brinquedos para crianças, muitas barracas de alimentação e estandes de empresas privadas. Nossa reportagem encontrou inclusive um comércio com produtos piratas e menores de idade estavam ajudando nas vendas.

Os carros estacionam onde dá. Em frente às garagens e até no meio da rua e o trânsito vira um grande problema. A feira se estende por uma área bem grande em torno da praça e também ocupa a Avenida Francisco de Assis Dias, onde há inclusive uma placa de proibido estacionar, mas os veículos estão em cima da calçada. Apesar das infrações, durante produção da nossa reportagem, não encontramos nenhuma equipe de fiscalização.

Da prefeitura, há apenas alguns cavaletes. Encontramos dois da Secretaria de Transportes e outros dois da Secretaria de Serviços Municipais. “Tem que regulamentar para nós organizarmos. Aqui é uma grande fonte de renda para os joseenses. Uma feira dessa gera milhares de empregos para as pessoas que vêm pra cá”, alegou o coordenador da feira Luiz Paulo dos Santos.

Segundo o organizador, o vereador Luiz Mota, do DEM, está ajudando a associação a regularizar a feira, que já existe há 21 anos. Depois da entrevista, Luiz corrigiu a informação sobre os cavaletes e disse que eles teriam sido deixados ali pela prefeitura, depois de uma obra. Em março de 2010, os organizadores criaram uma associação formal para gerenciar a feira. No dia do evento, um caminhão de som faz os anúncios de venda, que são cobrados. O grupo reconhece o transtorno para o bairro e pede apoio da prefeitura.

Como falta estrutura para receber tanta gente, a praça, que poderia ser um espaço de lazer, fica tomada pelos carros e mesmo com tanta gente, falta um item essencial. “Os moradores veem as pessoas urinando no portão de casa. Essa feira deve reuinir umas 2 mil pessoas e não tem nem banheiro químico”, critica o porteiro João Fernandes Maciel.

Outro lado

Ninguém da prefeitura quis dar entrevista. Por meio de nota, o município informou que existe um projeto para reurbanizar o local, com infraestrutura para receber a feira e evitar todo esse transtorno aos moradores. Só não respondeu porque, mesmo funcionando há mais de vinte anos, não há fiscalização em relação às irregularidades mostradas na reportagem.

 

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